Sunday, 22 May 2016

Cauby Peixoto as seen by Jeanette Adib 1957

Jeanette Adib was one of the first Brazilian journalist to try and understand the smear campaign promoted by a vulgar segment of disgruntled males who tried in every way to throw ridicule and defamation on the public figure of popular singer Cauby Peixoto who came into national prominence around 1956 at the same time Elvis Presley was revolutionazing the American scene.

Miss Adib tries to understand what was the matter with so much hatred and jealousy on the part of those 'regular guys' and the whole phenomenon. It is interesting to realize that she was pretty smart and made a lot of sense in her analysis. 


Agora ele foi tentar a sorte nos Estados Unidos - mas parece que o cantor brasileiro está encontrando forte barreira por parte dos aficionados do rock'n'roll - e quem ainda está ditando as ordens é o gingador Elvis Presley. 


Uma verdadeira avalanche de mulheres corre frenética atrás do cantor que arrebata os corações femininos com sua voz cheia de ternura e romantismo. Louras, morenas e escurinhas, disputam a atenção do cobiçado astro. Cauby é o dono de um dos maiores públicos femininos que comparece aos seus programas, em massa, e, talvez, em virtude dessa preferência, um pequeno público masculino tem se revelado desfavorável ao ‘melhor cantor de 1956’. Esse lado negativo, procura atingir objetivos poucos recomendáveis, no que concerne a integridade moral do rapaz. Visam, principalmente, colocar em jogo a masculinidade do espetacular cantor. Os boatos maldosos vão-se espalhando como uma praga tremenda, e aumentando de boca em boca (como habitualmente acontece), comprometendo de certo modo, sua reputação de artista. A época é das calúnias (em todos os setores), e quando alguém consegue ter o cartaz de Cauby, os despeitados ‘fabricam’ logo a novidade, com o propósito de ridicularizar a ‘vítima’.

O caso de Mr. Cauby Peixoto é perfeitamente explicável. Sendo o queridão das mulheres de todos os tipos, tamanhos e raças, ele passou a ser invejado por homens sem grandes qualidades (físicas e morais), que não conseguem pegar nem resfriado, quanto mais um mundo de garotas apaixonadas. Por sua vez, Cauby é indiferente a esses venenosos ataques. Houve um efeito contrastante em toda essa história. Planejou-se com tais calúnias, levar o cantor ao ridículo e fazê-lo perder sua invejável posição no radio. Aconteceu precisamente o contrário: as calúnias fizeram de Cauby um mártir, despertando em suas fãs um sentimento de proteção, apoio e mais amor. E, de dia para dia, cresce a sua popularidade.

Ele é tão perseguido pelas mulheres, que um terno tem a duração de máxima de um dia, pois quando elas o avistam na rua, é a conta! Todas querem agarrá-lo ao mesmo tempo, para se apossarem de uma ‘lembrancinha’ bem pessoal. A roupa fica em tiras: um pedacinho para cada uma. Na porta do apartamento de Cauby Peixoto, era comum amanhecerem várias jovens que pernoitavam na calçado do edifício, com o propósito de esperarem a saída do cantor. E, lá se ia outro terno novo! As mais discretas, rabiscavam-lhe a porta de batom, com declarações de amor, nomes, endereços, telefones etc. Aquilo já não era mais porta. Parecia uma dessas arvores que os namorados escrevem seus nomes e desenham corações. Cauby só encontrou uma saída para isso: mudar-se para um hotel onde a vigilância é rigorosa. Não entra ninguém sem ser previamente anunciado!

SE OS DESMAIOS FOSSEM PAGOS

Muitos dizem que algumas freqüentadoras de auditórios eram pagas para desmaiar a cada interpretação de Cauby Peixoto, a fim de provocar onda de publicidade sobre o seu nome. Abordando o caso com seu empresário, ele explicou-nos que o negócio não passou de uma piada dita por brincadeira. Numa roda de artistas, todos elogiavam a publicidade que ele vinha fazendo para Cauby. O empresário, então, disse em tom de pilhéria: ‘É... nessa campanha só falta botar umas meninas para desmaiar...’

O referido empresário conclui: ‘... Na verdade, desmaiaram até hoje, três (espontaneamente), e todos pensaram que as tivesse pago para isso. Ora, se eu quisesse fazer esse movimento, não iria pagar só três desmaios! Pagaria logo uns trezentos!

Enquanto os boatos correm, verídicos ou inverídicos, Mr. Cauby Peixoto torna-se cada vez mais famoso. Uma prova disso, é que ele acaba de ser contratado pela NBC, para atuar em radio e TV, por três anos.

Enquanto os boatos correm, verídicos ou inverídicos, Mr. Cauby Peixoto torna-se cada vez mais famoso. Uma prova disso, é que ele acaba de ser contratado pela NBC, para atuar em radio e TV, por três anos.

Nos Estados Unidos, o cantor brasileiro tem sido elogiado pelos críticos, maestros, e, principalmente, pelo publico.


'Revista da Semana' 20 July 1957. 

Monday, 18 April 2016

Marisa perde amor de Pery e ganha o de Cesar

Marisa Vertullo Brandão aka Marisa or Marisa 'Gata Mansa' on the cover of 'Revista do Radio' # 745 28 December 1963. Photo taken from Marisa's flat on Rua da Consolação, 867. 

Marisa perdeu, artisticamente, o sobrenome. Deram-lhe para substituir aquele Vertulio Brandão, com que foi batizada o cognome de ‘Gata Mansa’, em razão da sua maneira doce de cantar, os seus olhos repuxados e felinos, o seu sorriso angorá. A cantora fixou-se em São Paulo. Esteve no Rio de Janeiro por muito tempo, aqui iniciou sua carreira artística e está, embora não pareça, chegando à casa dos 30 anos de idade.  Indiscrição: Marisa não se importa em que se diga que nasceu em 27 Abril 1938. Está, agora, muito bonita. Canta com profunda dose de sentimento. Porque sofreu – e vai aqui mais uma indiscrição – desilusões românticas. Não esconde que esteve apaixonada por alguns cantores... e que já os esqueceu. O mais recente, Pery Ribeiro, foi um amor intenso, que parecia cristalizado para toda a vida.

Mas o amor só durou alguns meses. Não é segredo que ela trocou o Rio por São Paulo em virtude de Pery ali se encontrar radicado há bastante tempo. Esperava-se dessa forma, que surgisse a qualquer momento a noticia do casório de Marisa com o filho de Dalva de Oliveira, que até fazia gosto no acontecimento. Isso não aconteceu e o rompimento do romance foi inevitável. Como pessoas inteligentes e sensatas, ele e ela compreenderam que o amor terminara. E ficaram sendo bons amigos: cumprimentam-se ainda hoje, trocam palavras amáveis, mas agora tudo é diferente na vida de Marisa. Tudo é novo. A começar pelo amor.

Ela está apaixonada por um músico paulista Cesar Camargo Mariano. Amor de verdade: a cantora e o pianista só tem olhos um para o outro. Marisa fixou residência em São Paulo, num apartamento no alto do Edificio Marcela, na Rua da Consolação, 867. Perdeu alguns quilinhos e está mais esbelta. Canta na boite Baiuca e na TV Tupi.

Confessa aos amigos que dificilmente voltará ao Rio, posto que ficou sendo a Marisa dos paulistas, que a recebem de braços abertos. A estrela viajará para a Guanabara somente em visita à sua genitora, que reside em Copacabana. Com o amor transbordando de carinho, Marisa adorou São Paulo. E vai ficar mesmo por lá.


Revista do Radio # 788 - 27 October 1964. 

Um casamento alegre foi o de Marisa, a 'Gata Mansa', mas contando com uma nota de emoção: a presença das duas irmãs de Dolores Duran, Hilda Rocha e Irley Rocha (gravou discos com o pseudônimo de Denise Duran) de quem a noiva foi um das maiores amigas. Ao contrário do que tem ocorrido de uns tempos para cá, as cerimônias civil e religiosa foram realizadas separadamente. Primeiro ocorreu o ato civil, realizado na futura residência do novo casal. Foi oficiada pelo juiz Luigi Capiobianco, assistido pelo escrivão Laerte de Moraes. Os noivos assinaram no livro de registro seus nomes, por extenso, e que são: Marisa Vertullo Brandão e Antônio César Camargo Mariano. Depois do casamento a noiva passou a assinar-se Marisa Camargo Mariano.

Foi no boite A Baiuca, na Praça Roosevelt, em São Paulo, que Marisa conheceu seu atual marido. Cesar era o pianista daquela casa e Marisa a cantora, quando travaram conhecimento. Do namoro chegaram logo ao noivado. Quando se aproximou a data do casamento, Cesar teve que viajar para o Rio de Janeiro, pois seu conjunto, o Trio Sambalanço, foi tomar parte no show de Lennie Dale, na boite Zum Zum. Como o casamento foi realizado em São Paulo, Cesar teve que pedir licença da boite carioca, mas no dia seguinte teve que voltar, ficando a lua-de-mel adiada para quando terminar a temporada na Guanabara.

Os padrinhos no civil, por parte da noiva, foram o sr. Joaquim Emílio de Camargo Rangel (tio de Cesar) e Irley Rocha Gordon (Denise Duran), irmã de Dolores Duran. De parte do noivo, o sr. Milton Domingues e sua noiva Hilda da Rocha (outra irmã de Dolores Duran). A mãe e irmão de Marisa, devido à viagem de trem, só chegaram a tempo da cerimônia religiosa. Para o ato civil, Marisa usava um vestido azul-piscina de tecido 'côco ralado' e cabelos soltos. 

Depois teve lugar o ato religioso na Igreja Santa Terezinha, Rua Maranhão, 617, Higienópolis. Marisa usava, então, um vestido branco de shantung de seda pura, tamanho curto, com mangas largas em formato sino, tendo as mangas e a barra trabalhadas em raffe e pedrarias. Calçava sapatos do mesmo tecido do vestido e usava luvas de cetim branco. Levava um botão de rosa, claro, e na cabeça usava uma rosa branca e grinalda de tule de nylon, de três camadas, com sombra azul. O traje da noiva foi confeccionado por Mme. Nadir, amiga de Marisa. O noivo trajava terno de tropical, riscadinho de branco. Os padrinhos de Marisa na igreja o sr. Gilberto de Camargo Rangel e d. Helena de Camargo Rangel, avós de Cesar. Os padrinhos do noivo foram seus tios, sr. Joaquim Emílio de Camargo Rangel e dona Antônia Yara Pompeu de Camargo Rangel. Frei Paulino do Coração de Jesus celebrou o enlace, ao qual compareceram também os outros dois elementos do Trio Sambalanço, Airto Moreira (bateria) e Humberto Claiber (contra-baixo), sendo que o último executou durante a cerimônia, em solo de gaita-de-boca, a melodia 'Marisa', que Cesar compôs para ela. 

Diversos artistas estiveram presentes à Igreja. Anotamos: Elza Aguiar, Alaíde Costa, Yoko Okada, Pedrinho Mattar, Dave Gordon, Walter Silva, Maricene Costa, Luiz Chaves (baixista), Waldyr Santos e Magno Salerno (representando as Emissoras Associadas), Luiz Mocarzel, Sebastião Bastos (presidente da Audio-Fidelity), o empresário Mario Buonfiglio e muitos amigos e fãs. Ao terminar a cerimônia caiu sobre os noivos uma chuva de pétalas de rosas. Em seguida, os nubentes, precedidos pela irmã mais nova de Cesar (Maria Helena), trajando vestido azul de tecido igual ao da noiva, foram receber os cumprimentos dos amigos. 

Da igreja, os noivos e seus convidados dirigiram-se ao João Sebastião Bar, onde seus proprietários, Paulo de Arruda Cotrim e a cantora Ana Lúcia, ofereceram um almoço. Como nota curiosa, ao final, foi Ana Lúcia que ganhou a rosa-bouquet que a noiva atirou e assim credencia-se a um próximo casamento. 

Marisa Vertullo Brandão * 17 April 1938  + 10 January 2003.
Cesar Camargo Mariano * 19 September 1943 

Friday, 22 May 2015

Thank you for the 50,000 visits

I'd like to thank every one who visits this blog for the 50,000 - fifty thousand times that it has been accessed. This is really a nice number. Carlus Maximus!

Monday, 13 October 2014

1959 Maysa in Paris & Miss Brazil in the USA


Maysa in a pensive mood looking over the River Seine in Paris where she went into hiding after being a media star in Brazil for a couple of years. Among other things Maysa said Miss Brazil 1959 was not even beautiful even though Vera Ribeiro got to be the 4th runner up to the Miss Universe title in Long Beach, California. Maysa was right in the sense that Vera Ribeiro was a bit wishy-washy as come to Brazilian beauties. She was fair and had a protruding mouth. But she was immensely friendly and cheerful which put her on step ahead in a game like Miss Brazil.

Maysa had other troubles. The bottle was her main issue and she knew that. Reporter Afranio Brasil Soares writes to Brazilian weekly 'O Cruzeiro' in early July 1959





Maysa was close to fat, She knew she was at a sort of cross road and she thought that staying a time in Paris it would bring her some sort of well being she could see falling away.

The Panther visits Paris 

“I came to Paris to stay with the ‘mes’ of myself”, repeats Maysa to those who ask her what she’s doing in Paris.  


Maysa, actually stays the whole day in her apartment at Hotel de la Trémoille, hosting the Brazilian community who live in France, French performers and writing her dairy of her trip that begins like: 

"To flee from life and everything that is real, to dreams and colours, to forget that I have a past and that I have to face a future is my constant obsession".

It’s only when night is well on its way that the Panther Woman, as she portrayed  herself to a French journalist, leaves her den always accompanied by one of two friends who take turn and cheperone her through the Light City.   



She then goes to bars and basements in Saint German des Près, Pigalle or Montparnasse where she adds as few more doses  of whiskey on top of the already 2 full bottles she’s been drinking everyday.  


La Louisiana is Maysa’s favourite basement. She calls it her ‘cavern’. Maysa stays there until early dawn talking about her ‘with-mes’ or just silent for a long stretch of time. 

When she leaves the basement she goes all alone to the Seine’s kay and watches its waters flow until day breaks. 



I’ve got a strong desire to throw myself into the Seine. 


In one of Maysa’s wanderings through the quay she met a tramp (clochard) with whom she drank wine and to whom she sang some of her repertoire. Maysa translated the words of her songs to the French tramp and by the morning as he went his way, he raised up his cup and said: To you who understands life. 


Maysa has left the hotel only four times since she arrived. The first time she went in a round of visits to French radio & TV stations when she gave a few interviews. Next time she visited Brazil’s first lady Sarah Kubitschek and sang to her daughters Marcia and Maristela in a private audition. Then Maysa went to the inauguration of Casa do Brasil at Cité Universitaire and regretted that they did not serve whiskey. Finally, Maysa agreed to walk in the vicinities of her hotel to have some photos taken by ‘O Cruzeiro’s photographer Helder Martins for this article.

Maysa felt her first sad moments even before the plane touched down at Orly. She was still on board approaching Paris when she heard a programme on Radio Difusion Française in which she was being talked saluted and she wept when she heard 'Ouça' being played. Maysa grumbles that she's got a wistfulness inside she can't explain. 


She can’t explain how she loves loneliness but at the same time she hates to live by herself. Maysa repeated the statement which was so controversial in Brazil: that she wishes she had been born a black man, ugly and dumb.  She is terrified of flying insects. She’s even afraid of a fly. She doesn’t remember a single day she woke up happy. She keeps re-living her difficult moments. She still dwells upon the fact that the very first time she sang at Radio Mayrink Veiga in Rio de Janeiro the whole auditorium got up and left. 

She doesn't have one single female friend. That's why she prefers male friends. She's got an ear for 'complicated' people and she thinks she understand them. The thinks normal people are uninteresting people. She thinks vulgar people are an annoyance. She says extroversion is a kind of introversion. Each time she attempted suicide she thought she had finally 'discovered herself'. 

Her future is the next dose of whiskey and her past was the last one she took. She measures the day by whiskey doses. There are 23-dose days, sometimes a 27-dose-day and even 36-dose days even though she never bothers to count. 

She's thinking about throwing a party to her Parisian friends and she plans to start it backwards from the end to the beginning. She has a dream of traveling around the world accompanied by Charles Chaplin or one of the Little Tramp's mongrels. She thinks there are a few good things to do in Paris: leaning against a light post by a corner is one of them. She avows she would never jump off the Eiffel Tower. 

Maysa still doesn't know where she'll go when she'll get tired of her Parisian holidays. If she won't try her 29th suicide attempt she'll probably go to Cannes, Saint-Tropez or Venice. She might even go to Rome. She's signed to perform at Estoril Casino in Portugal for a fortnight but she's not sure whether she'll honour the contract. She's supposed to return to Brazil at the end of July or August but she may return any time if homesickness will trap her.

'O Cruzeiro' 16 July 1959.




Maysa and radio DJ Walter Silva at the cover of Radiolandia - 27 July 1959. Walter was the man who took Maysa around to radio stations and introduced her to Rio de Janeiro's DJs in 1956. 


Vera Ribeiro, Miss Brazil 1959 in Long Beach, California 



Vera Ribeiro receives Luz Marina Zuluaga the previous year Miss Universe at her hotel room. See how graceful Vera was in her way of paying tribute to the most beautiful woman in the Universe 1958. on the right: Vera shows her curves like those of a Spanish guitar while Miss Sweden & Miss USA play with a ball. 


'O Cruzeiro' was the best selling weekly magazine in the country since the 1940s. The issue of 18 July 1959 was colourful due to the Miss Universe 1959 pageant photos; vice-president Jango (João Goulart) tells all to up-and-coming journalist Carlos Castello Branco, as Marshall Lott and presidential candidate Janio Quadros had already done.   


Miss Brazil 1959 may not have been a raging beauty but she was very sweet as her dolls testifie.


Thursday, 28 August 2014

Pelé in 1960


Pelé listens to his favourite albums at home on a day he didn't have to work. Agostinho dos Santos' 'Inimitável', 'Convite para ouvir Maysa no.4' and 'Nelson Gonçalves in Hi-Fi' are among others.


The head-line reads 'Pelé, the millionaire' but he was living at a boarding house owned by Raimundo, former Santos basket-ball player, his 17-year old brother Zoca (Jair Nascimento) and 'Porunguinha' (José Carlos) a 3-year old boy ('related to Pelé' according to the text) with no parents. Pelé's father, Dondinho, lived in Baurú-SP and controlled his son's finances.

Rua Pinheiros Machado in Santos-SP
'Mundo Ilustrado' 27 August 1960. Pelé talks with Walter's father whose son plays at Valença.
Pelé & Porunguinha

Pelé waves bye-bye to Porunguinha in Zoca's arms.


Pelé, Dondinho & Zoca.


Pelé's record collection


Thursday, 12 June 2014

Trio Cristal

Trio Cristal were three young Paraguayans who traveled around South America and decided they would stay in São Paulo and try their luck. In 1960, they were signed by independent label RGE and recorded a cover that had been a hit by Equatorian singer Julio Jaramillo in many countries called 'Nuestro juramento', a sad song that deals with death written by Puertorican Benito de Jesus (1912-2010). 

'Nuestro juramento' went surprisingly to #1 in the singles' chart and Trio Cristal became a household name. RGE soon released an extended-play and in 1961, they had their first album out. 

Actually, there is a little bit more to those guys than that. Before 1960, they were known as Trio Salinas. 


Trio Cristal's first extended-play.





XRLP-5.099 - Canta o Trio Cristal - 1961

1. La pachanga (Eduardo Davidson) - merengue 
2. Amargo retorno (Julio Jaramillo)  
3. Interrogación (Minerva V.Elizondo)
4. Malvada (Tito Avila)
5. Mi locura (Julio Jaramillo)
6. Nuestro juramento (Benito de Jesus)

1. Botecito de vela (R.R. Rosado) cha-cha-cha
2. Encadenados (Agustin Lara)
3. Buenas noches (Maugeri Netto)
4. En mi delirio (Ricardo Mora)
5. Ensueño de claro lunar (Cirilo R.Zayaz-Gerardo Arroyaz)
6. Curuzú verá (Americo F.Cabrera-Ruben de Oliveira)
XRLP-5.138 - Trio Cristal - 1962

1. Si tu volveraás (Julio Jaramillo)
2. Escandalo (Rubens Fuentes-Rafael Cardenas)
3. Ansiedad (Jose Enrique Sarabia Rodriguez)
4. Deseo (Julio Jaramillo)
5. Cuando te canses de llorar (Jose A.Espinosa)
6. El invierno (Maximo Casanova)

1. La barca (Roberto Cantoral)
2. La hiedra (L'ereda) - Vicenzo D'Acquisto; v.: Saverio Seracini
3. Devuelveme el corazón (Julio Jaramillo)
4. Muy cerca de ti (Fiorentin Gimenez-Ben Molar)
5. Sin temor (Maximo Casanova)
6. El destino lo quiso (A. Sactillo)


XRLP-5.156 - As mais lindas guarânias - Trio Cristal

1. India (José Flores-Ortiz Guerrero)
2. Lejania (Herminio Giménez)
3. Que será de ti? (Demetrio Ortiz-Maria Teresa Marquez)
4. Anahi (Oswaldo Soza Cordero)
5. Mis noches sin ti (Demétrio Ortiz)
6. Mi destino (Mauricio Cardozo Ocampo)

1. Mi dicha lejana (Imigdio Ayala Baéz)
2. Recuerdos de Ypacaraí (Mirquin-Demetrio Ortiz)
3. Distancia (Herminio Giménez-Don Cochia)
4. Sé que te perdi (Jose Bra - Mauricio Cardozo Ocampo)
5. Yo no sé porque (J.P. Delfor-Boggino)
6. Noches de Paraguay (Samuel Aguayo)


Trio Cristal in 1958, when they were known as Trio Salinas. From left to right: Marcelino Romero, Maximo Alberto Casanova & Tito Salinas.


Alberto Casanova, Tito Salinas & Pedro Gamarra. 



Alberto Maximo,  Tito & Enrique sit dangerously at a rail at the Grandes Galerias (future Galeria do Rock) in São Paulo in  1961. 


Alberto, Tito & Enrique look proudly at their first album for RGE. 
Alberto Maximo, a friend, Enrique, Pedro & Oslain Galvão with the Sugar Loaf in the back. 

a very elegant Trio Cristal wearing their cowboy ties.




Trio Cristal's first and biggest hit: 'Nuestro juramento', a bolero written by Benito de Jesus from Puerto Rico.


Ecuatorian singer Julio Jaramillo whose recording of 'Nuestro juramento' was the basis for Trio Cristal's cover recorded at RGE in São Paulo, Brazil - taking it to #1. I particularly prefer Trio Cristal's version which is most heart-rendering with their 3-part-harmony.


Paraguayan song-writer Maria Teresa Marquez sings other people songs in a 1957 album. 

Sunday, 9 February 2014

Linda Rodrigues na CARIOCA



revista Carioca de 21 Maio 1938: A garota paraense que veiu atuar no 'broadcasting' do Rio e de São Paulo.

A revista Carioca apresenta Linda Rodrigues ao país, como uma garota paraense que chegou ao Rio para 'conquistá-lo'. Encanta-se com a beleza da moça dizendo: 'Com um sorriso encantador nos lábios, um chapeuzinho atrevidamente cinematográfico e um vestido marrom civilizadíssimo entrou-nos pela redação a dentro a figura mais bonita de cantora que o Pará, ultimamente, nos mandou. Loira, desembaraçadíssima, sem geito de cabocla nem de selvagem...  

Linda Rodrigues é assim apresentada ao público da revista Carioca como se fosse paraense, quando, na verdade, Linda nascera no Rio de Janeiro, tendo mudado-se para Belém do Pará, apenas há poucos anos. Nota-se o tom 'colonizado' do repórter ao se surpreender com um paraense loira, sem jeito de 'cabocla' (mistura de índio e branco) ou de selvagem, que seria a aparência 'normal' da população daquele estado do norte.  


Alguns anos depois o reporter Luiz do Valle da revista Carioca conta a verdade sobre a origem de Linda Rodrigues, dizendo que, realmente, ela nascera no Rio, mas transferira-se para Belém do Pará, e agora estava de volta. O repórter continua encantado com a beleza da moça que, nesse meio tempo já cantara na Radio Cruzeiro do Sul, Radio Nacional e agora era contratada da Radio Tupi.

Linda Rodrigues admira o jeito norte-americano de angariar fundos para o financiamento da Guerra que comia solta na Europa e Ásia. Linda sugere ao repórter estar disposta a vender beijos por 1 cruzeiro cada (barato, não?) como contribuição sua para a venda de bonus. 

Os preferidos de Linda Rodrigues no campo teatral são: Ernani Fornari, Oduvaldo Viana e Amaral Gurgel. Os atores de Hollywood preferidos de Linda eram Orson Welles, Bette Davis, Greer Garson, Nelson Eddy e Paul Muni. Os melhores atores da comedia nacional eram Olavo de Barros, Procópio Ferreira, André Villon e Jayme Costa.

Entre os melhores autores estrangeiros, Linda preferia: André Marois, Somerset Maugham, Pierre Van Passen e Thomas Mann. Entre os autores brasileiros já falecidos, os escolhidos foram: Machado de Assis, Humberto de Campos e Coelho Netto. Entre os poetas: Olavo Bilac, Manoel Bandeira, Casimiro de Abreu e Adalgisa Nery e Araújo Borges (vivos então).

Linda Rodrigues diz: 'Em janeiro deverei estar na Bahia. É uma terra boa, cuja gente nos cativa sensivelmente. Meu pendor é sempre peregrinar. Não gosto de permanecer estática. Aprecio as paisagens, os cenários deslumbrantes de nosso torrão. Novas emoções, novas coisas. Para não cansar, compreende?'


Linda Rodrigues aparece em mais uma reportagem da revista Carioca, agora falando de sua infância no bairro da Tijuca, onde era conhecida como Gata Russa pelas suas companheiras de peraltice. Há uma foto de quando tinha 8 anos e meio, em 1930. Linda confessa que ouve a Hora da Ave Maria diariamente e que seus compositores preferidos são Chopin e Schubert. Depois da musica e dos livros, seu grande prazer é a vida da praia, com muito sol, nado de peito, jogo de petecas e alguns 'tarzans' para atrapalhar...


O repórter M. Curi, da revista Carioca, encontra Linda Rodrigues nas dependências da Radio Tamoyo lendo um número da revista 'Síntese' e escreve no início de 1944: Linda Rodrigues, olha vago, semblante despreocupado, queixo apoiado nos braços, equilibrando-se sobre as pernas cruzadas, percebeu, de súbito, que lhe seria imposto um interrogatório.


Linda, se você fosse atriz de Hollywood, e tivesse que destacar um galã para beijar, qual o que escolheria?
- Puxa, quanta indiscrição. Mas não importa. Como o aprecio, não só pela sua voz, desempenho e personalidade, como também pela simpatia que irradia, Nelson Eddy seria o escolhido.

Joan Crawford in Somerset Maugham's 'Rain' (Chuva) 

- E o radio-teatro?
- Sou ouvinte ocasional das novelas. Porém daria tudo para ver radiofonizado 'A chuva', admirável conto de Somerset Maugham


- Ainda não gravei nenhum disco. Prefiro cantar o samba-canção... está de acordo com meu temperamento romântico e minha sensibilidade. 

- Minha dança predileta é o bolero porque suave e envolvente, é uma música, à semelhança da valsa, que nos desperta para a vida... uma vida cariciosa, serena e amorosa. 

- E o seu provérbio favorito?
- 'Mais depressa se pega um mentiroso que um coxo.'







Abaixo do nível

A tua vida tem sido uma tragédia
nem sequer na classe média conseguiste aceitação
E é por isso que o teu viver é horrível
Viver abaixo do nível da tua colocação

O teu destino tem um D tão pequenino
que nem com microscópio ninguém consegue ver
Lamentas, mas tem a tua razão
porque não é só do pão que depende o teu viver
bem, podes crer.

samba de Alvaiade & Odaurico Motta
1a. gravação de Linda Rodrigues 

Discos Continental - Janeiro 1945
A. Enxugue as lágrimas (Elpídio Viana-Carneiro da Silva)
B. Abaixo do nível (Alvaiade-Odaurico Motta)




Lindíssima Linda Rodrigues em 'glossies' de fazer inveja a Hollywood.